10/11/2009

A metade da laranja

Acabo de ler esse texto no blog da ruiva e achei atual e verdadeiro, passei e passo demais por isso, vejam só:



Acredito em amor, casamento, alma gêmea e final feliz. Mas não acredito que uma pessoa só possa ser considerada inteira se possuir um compromisso sentimental.Faz muito tempo que observo como a sociedade tende a valorizar casais e excluir solteiros, ainda mais se o solteiro em questão for mulher, na faixa dos trinta anos. A sociedade impõe comportamentos e até o estado civil desejável para cada pessoa.
Não falo das vantagens e desvantagens de namorar, casar ou optar pela solteirice, mas de como você é tratado a partir de uma opção. E de como esse tratamento pode influir em escolhas futuras. Porque se influi, deixa de ser escolha.
Quando estava solteiraça (se bem que ainda estou! Porque solteiro é todo mundo que não é casado, não é? Vejam como até a linguagem é tendenciosa...) me divertia bastante, mas me sentia excluída com frequência. Em alguns locais e/ou grupos uma mulher solteira e desacompanhada causa um certo...hum...como vou dizer? Não é constrangimento. É mais um desconforto. Que faz com que todas as mulheres comprometidas do lugar fiquem dando conselhos para a moça que está sozinha. Isso aconteceu comigo muitas vezes. E veja bem, nunca pedi conselhos estilo "como agarrar um macho em 3 dias". Passei a evitar certos tipos de encontros para não ser grossa, pois o assunto inevitavelmente caía em "dicas para arrumar homem".
Isso aconteceu várias vezes, em todos meus períodos entre um namoro e outro. Foi uma enorme invasão de privacidade. Na maioria das vezes eu estava muito bem sozinha (ou nem estava sozinha, estava de rolo ou qq coisa não oficial), mas independente da situação, que foram tantas, isso nunca daria a quase estranhos o direito me dar conselhos sem que eu pedisse.
Não vejo isso acontecer com homens. Impressão minha ou estamos quase em 2010 e nosso planetinha azul continua machista?
Quando a gente anuncia que está namorando, parece que alcançamos um grande objetivo, como se fosse um prêmio da mega-sena. Não é impressão minha que tem gente que me trata melhor agora que estou acompanhada (não estou falando dos amigos de verdade, que são pau pra toda obra e qq tempo, óbvio, refiro-me à conhecidos e colegas).
Tenho implicância com gente-fruta. Não bastasse mulher-melão, mulher-morango e outras espécies frutíferas (como meu ex, o BananaMan), ainda tem essa história da metade da laranja.
Se fosse para brincar de salada de fruta, eu certamente escolheria a maçã protagonista da história do Jardim do Éden ou da Branca de Neve. Nada de ser coadjuvante:).
Eu não sou metade de porra nenhuma. Sou inteira, estando acompanhada ou não.

3 comentários:

Madame Mim disse...

Oi Elaine!
Bom dia!
Uma xará sua, minha querida Elaine do "Um Pouco de Mim" disse que vc tinha colocado meu post aqui.
Então vim agradecer, é legal ver que um texto agradou. Achei mto legal da Ruiva ter colocado no blog dela tbém. :)
É um sentimento tão comum esse, né, da pressão para sermos aquilo que a sociedade espera.
Depois venho com calma ler seu espaço.
bjos e bom dia!:)

Carla disse...

Isso sempre acontece comigo também! Será que não temos o direito de ser felizes sozinhas?

Ruiva disse...

Xuxu, o texto não é meu. Eu li no blog DDA, pedi autorização pra dona e publiquei lá no Ruiva. Mesmo assim, obrigada pela honra.

Beijassss